Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a Resistência à insulina

Por portal nutri

Você sabia que alimentação e a síndrome do ovário policístico (SOP) estão relacionados? E que o consumo de carboidratos refinados e açúcares, quando não causam o problema, podem piorar muito essa condição?

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) trata-se de um distúrbio que geralmente se inicia na puberdade e é progressivo, causando um desequilíbrio hormonal. O problema é que isso faz com que o organismo passe a produzir alguns hormônios em maior quantidade, e outros em menor quantidade, aumentando a possibilidade do aparecimento de cistos no ovário e interferindo no processo de ovulação.

Ela representa uma das desordens endócrinas reprodutivas mais comuns em mulheres, acometendo em torno de 5% a 10% da população feminina em idade fértil, com idade variando de 17 a 39 anos.

 Os sintomas podem variar entre as mulheres, porém os mais comuns são: ciclos irregulares, menor frequência de ovulação, dificuldade para engravidar, ganho de peso, queda de cabelo, 30 a 60% dos casos apresentam resistência à insulina (RI) ou hiperinsulinemia (especialmente em pacientes obesas), que será abordado nesse artigo, oscilação de humor e correlação com hipotireoidismo. 

 Em mulheres com SOP os níveis de hormônios androgênios (como a testosterona) podem ser produzidos em excesso nos ovários e dificultar a ovulação, prejudicando o processo de engravidar, seja natural ou artificialmente. Quando isso ocorre, alguns sinais são observados, como: crescimento anormal de pelos nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço, aumento da oleosidade da pele e aparecimento de cravos e espinhas, queda de cabelos, aumento de peso e manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

Diversos estudos têm demonstrado que a perda de peso auxilia na melhora dos sintomas e restauração da função ovariana e metabólica de mulheres portadoras de SOP com sobrepeso ou obesidade. Uma pequena redução do peso (5% a 10%) contribui com melhora da ovulação, melhora a capacidade do sistema reprodutor, diminui a resistência à insulina, reduz os níveis de hormônios androgênicos, corrige o perfil lipídico e ainda pode diminuir o tamanho e a quantidade de cistos ovarianos. Dessa forma, a avaliação do estado nutricional e do consumo alimentar de portadoras de SOP torna-se uma ferramenta importante para nortear estratégias de intervenção nutricional.

A ingestão alimentar de alimentos que favorecem a inflamação (rica em gordura saturada e carboidratos de alto índice glicêmico) leva a diversos desequilíbrios no controle de fome-saciedade. Sendo assim, a dieta deve ser repleta de alimentos anti-inflamatórios, composta por vegetais, gorduras boas e antioxidantes.

Uma dieta rica em açúcar e carboidratos refinados podem piorar os sintomas da doença. Por isso, a ingestão de proteínas e a restrição de carboidratos de alto índice glicêmico pode ser aliada para redução do peso corporal e concomitantemente melhorar as alterações associadas com a síndrome. Prefira os carboidratos complexos, dando preferência a alimentos integrais (batata doce, inhame, pães integrais,) combinando com proteínas nas refeições intermediárias para evitar pico glicêmico e de insulina.

Também é fator de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular (DCV), como dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão arterial sistêmica (HAS), disfunção endotelial, síndrome metabólica (SM) e marcadores pró-inflamatórios crônicos.

O diagnóstico pode ser feito pela presença de dois  dos  três fatores seguintes: anovulação crônica; sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo e presença de padrão ultrassonográfico ovariano policístico.

A causa da SOP ainda é desconhecida. Acredita-se que a RI seja o principal fator patogênico relacionado ao aumento da taxa de distúrbios metabólicos em mulheres com SOP. A real causa da RI permanece incerta, no entanto, numerosos mecanismos têm sido sugeridos, incluindo estresse oxidativo e inflamação, estresse do retículo endoplasmático, mutações no receptor de insulina e disfunção mitocondrial.

 A hiperinsulinemia  favorece  o  distúrbio  metabólico,  com  a  intolerância  a carboidratos,  aumento  de  lipoproteínas  de  baixa  densidade  (LDL-colesterol)  e  triglicerídeos,  além  da  diminuição  de  lipoproteínas  de  alta  densidade  (HDL-colesterol). A insulina também exerce efeito estimulatório sobre  a  esteroidogênese  em  ovários normais  e  policísticos.

A  hiperinsulinemia também  inibe  a  síntese  hepática  da  globulina  carreadora de    hormônios    sexuais-SHBG,    e    gera    aumento    da    testosterona    livre.    A hiperandrogenemia  é  contribuinte  fisiopatológico  bem  estabelecido  na  etiologia  da SOP,   detectada   em   60%   dos   casos,   ao   passo   que   a   resistência   à   insulina   é diagnosticada em 50 a 80% das mulheres com SOP e independe do excesso de peso ou  índice  de  massa  corpórea  (IMC),  embora  a  obesidade  do  tipo  central  seja encontrada  em  até  80%  das  portadoras  de  SOP

Inclua fibras solúveis na alimentação como aveia, psillium, farinha de maracujá, biomassa de banana verde, pois possuem a capacidade de aumentar o tempo de digestão prevenindo episódios de fome intensa e ainda favorecem a estabilização dos níveis de glicose sanguínea.

Uma dieta anti-inflamatória (composta por vegetais, gorduras boas e antioxidantes) deve fazer parte do tratamento. Os antioxidantes podem melhorar a ação da insulina e reduzir a peroxidação lipídica nas membranas celulares de músculos e aumentar a ligação da insulina com seu receptor. A vitamina E, de fonte alimentar, presente em carnes, ovos, castanhas, óleo de milho podem ter efeito protetor. Outras vitaminas que também podem melhorar a sensibilidade deste hormônio são a vitamina C presente em acerola, goiaba, kiwi, morango, laranja, pimentão, brócolis, couve-de-bruxelas, gojiberry, cranberry, caju e vitamina D, presente em carnes, peixes e frutos do mar (salmão, sardinha, mariscos), ovo, leite, fígado, queijos e cogumelos.

 

O consumo de ácidos graxos saturados deve ser evitado. Eles devem ser substituídos por ácidos graxos polinsaturados ou monoinsaturados.  Estudos mostram que o consumo de ômega 3 (peixes como salmão, atum, cavalinha, sardinha, farinha de linhaça, chia, castanha do Pará) é capaz de prevenir o desenvolvimento da resistência à insulina. Os ácidos graxos monoinsaturados também podem ter efeito benéfico na sensibilidade à insulina, com é o caso do azeite e das oleaginosas. As gorduras trans levam a um aumento das concentrações de insulina, independentemente da quantidade ingerida.

Alguns minerais estão diretamente relacionados com a melhora da resistência à insulina. O magnésio encontrado em: uva, banana e abacate; grãos e derivados como a granola, gérmen de trigo e aveia; sementes e nozes como gergelim, amendoim, girassol castanha e amendoim, além de leite, soja, grão de bico, pão, peixes, batata, beterraba, couve e espinafre, tem influência direta no metabolismo da glicose, atuando como cofator para muitas enzimas envolvidas no metabolismo energético.  O Zinco (ostras, camarão, carne bovina, frango, peixe, fígado, gérmen de trigo, grãos integrais, castanhas, cereais, legumes e tubérculos,  e o cromo presente nas  carnes, frango e frutos do mar, ovos, leite e derivados, grãos integrais (aveia, linhaça e chia), alimentos integrais (arroz e pão), uva, maçã, laranja, espinafre, brócolis, alho, tomate, feijão, soja e milho também estão relacionado na melhora dos sintomas.

Leila Araújo: Nutricionista

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