Síndrome do ovário policístico e infertilidade

Por portal nutri

 Você sabia que a perda de peso e
a melhora na resistência à insulina pode ajudar na fertilidade em mulheres com
SOP?

 

A SOP (síndrome do ovário policístico) é uma desordem complexa, com herança genética de padrão ainda não estabelecido. É  considerada  a  causa  mais  comum  de infertilidade por anovulação. Ela costuma surgir quando a hipófise, a glândula que regula a produção hormonal, acaba estimulando a liberação em excesso de andrógenos, os hormônios masculinos. Com isso, o amadurecimento dos óvulos fica comprometido. Quando a célula reprodutiva feminina não se desenvolve como deveria, vira um folículo enrijecido, que fica preso na região. É o cisto no ovário.

Alguns genes relacionados com a biossíntese, regulação e ação de androgênios, a ação e secreção de insulina e de gonadotrofinas podem estar envolvidos na predisposição genética à síndrome, interagindo entre si e com o meio ambiente, o que favorece a existência de múltiplos mecanismos fisiopatológicos para essa desordem.

A irregularidade hormonal é o principal fator para a diminuição da fertilidade entre as portadoras. A exposição  aumentada  a  androgênios  causa  um  aumento  da frequência  dos  pulsos  de secreção de  GnRH  (Hormônio liberador de gonadotrofina) por  um  mecanismo  de  feedback negativo (a produção de progesterona está diminuída pelo fato de não ocorrer ovulação frequente), o  que promove  a  secreção  preferencial  de  LH  relativamente  à  FSH,  com consequente hiperestimulação das células da teca nos folículos ováricos.  Isto conduz ao aumento da produção de androgênios (testosterona e androstenediona) por estas células. Pela  diminuição  da  concentração  relativa de  FSH,  a  conversão  destes  androgênios  a estrona  e estradiol (pelas células da  granulosa) não é  efetuada. Desta forma, é perpetuado o ambiente hiperandrogênico, que para o desenvolvimento dos folículos antrais e impede a ovulação

A hiperinsulinemia estimula a secreção androgênica pelos ovários e adrenais e suprime a produção hepática da globulina transportadora dos hormônios sexuais (SHBG), com aumento dos androgênios livres biologicamente ativos. O excesso local dos  androgênios  ovarianos  devido  à  hiperinsulinemia  causa  a atresia prematura dos folículos ovarianos, formando pequenos cistos e anovulação e abortamentos precoces sofridas por mulheres com SOP.

 

O  tratamento  escolhido  deve  ser  feito  de  acordo  com  o  perfil,  a  necessidade  e  o  objetivo  do  paciente diante  da  terapia.  É  de  suma  importância  que  todas  as  mulheres  afetadas  mantenham  uma  orientação nutricional  adequada  além  de  manter  uma  prática  de  atividades  terapêuticas  onde  essas  mudanças  são confirmadas  de  forma  positivas  visando  à  melhoria  nas  funções  hormonal,  metabólica,  cardiovascular  e reprodutiva.

Um tratamento natural para aumentar as chances engravidar  é a perda de peso. Este passo é fundamental e às vezes suficiente para permitir que o sonho de ser mãe se realize e quando não for suficiente, exercerá uma grande influência positiva para o sucesso do tratamento, podendo ajudar na redução da quantidade de medicação hormonal necessária

A perda de peso pode restaurar as alterações hormonais associadas à SOP, com aumento das concentrações plasmáticas de SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais) e diminuição dos níveis séricos de insulina e androgênios. Perdas de peso de 5 a 10% podem ser suficientes para restabelecer a função ovariana e melhorar a resposta à indução da ovulação. Assim, a modificação no estilo de vida, com dieta e exercícios físicos, deve ser considerada a primeira opção terapêutica para as mulheres com SOP e obesidade, com intuito não apenas de restabelecer a ovulação e favorecer a gravidez, como também para prevenir as complicações a  longo  prazo  associadas  à  SOP,  como diabetes  mellitus tipo  2,  hipertensão  e  doenças  cardiovasculares.  Estas recomendações deverão ser individualizadas e adaptadas às condições pessoais de cada mulher.

Leila Araújo: Nutricionista

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